03/09/2016

Sobre como te esqueci.

Fonte: Pixabay.

Te esquecer não foi uma tarefa fácil, e estava bem longe de ser. Por algumas semanas estive desnorteada, abalada, angustiada e chorona. Eu só sabia me culpar pelo nosso fim. Eu só sabia lembrar dos teus afagos e manias vinte quatro horas por dia. Eu só sabia sustentar a ideia de que em breve essa dor iria se esvair. Foi difícil enterrar toda a nossa história e aceitar que tudo se foi tão de repente. Agora você seria passado. O passado que eu não queria ter, pois apostei demais na gente, achando que cê faria o mesmo. E não fez. Você pulou do barco muito antes de dizer adeus. Enquanto eu tive que encarar a tempestade árdua sozinha e continuar lutando para que eu pudesse sair ilesa desta fase. Fui me forçando a esquecer o que eu mais queria lembrar. Fui me forçando a esquecer você quando notei que eu estava vivendo a tua vida e deixando a minha pra lá.

Foi complicado. Eu sinceramente achei que não iria suportar a dor gritante no meu peito. Foram dias de luto por sua causa. Mas fui te esquecendo, aos poucos, devagarinho. Até que me dei conta de que as minhas lágrimas começaram a cessar. Parei de te stalkear nas redes sociais; e não dei tanta importância quando soube que você estava bem sem mim. Parei de me preocupar em saber aonde você iria nos próximos finais de semana. Se estaria acompanhado ou não. Parei de criar expectativas e já não queria mais saber se o seu coração pulsava em ritmo acelerado quando eu passava por você. Comecei a não querer mais te enviar mensagens e já não era mais do meu interesse saber como estava sendo a sua rotina. Te esqueci. E não foi fácil. Te esqueci não porque eu quis, mas porque não era questão de escolha.

Doeu de verdade todo esse processo. Eu tinha te esquecido, e isso me custou muito, mas é assim, há feridas que precisam ser saradas; e exigem um certo esforço para se obter resultados satisfatórios. Eu estive no chão durante um tempo, mas enxerguei que não preciso me modificar pra caber em ninguém. Eu tive que me obrigar a deletar todas as memórias que ainda sobraram de nós. Eu tive que deixar você ir para o seu canto e eu ir para um caminho bem diferente. Eu tive que abrir mão de todos meus sonhos com você e desistir da gente. Largar tudo por ai e dar continuidade na minha vida. Então eu esqueci. Te esqueci naquele dia em os meus assuntos já não eram mais voltados em você. Te esqueci, porque tive que esquecer. Te esqueci quando ao ouvir seu nome, já não senti nada. Te esqueci, porque eu precisava me desprender de um amor morto. Te esqueci naquele dia em que você quis voltar. E eu quis ir.


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2 comentários

  1. Tico-Tico

    Agora eu sei:
    Já escutei
    Alguém dizer que você chora,
    Ao perceber
    Que se perdeu,
    Depois que me mandou embora;
    Que se pergunta: “E agora?
    Como é que eu pude dar o fora
    Em alguém que só quis meu bem?”

    Você zombou
    Do meu amor:
    Foi se empolgar com tanta estória
    De quem nem bem
    Lhe conheceu...
    Foi se juntar àquela escória,
    Com a falsidade mais finória...
    E hoje busca na memória
    O tempo que roubou de mim!

    Largou de mão
    Meu coração.
    O que era para a vida inteira,
    Você não quis,
    E agora diz
    Que era tudo brincadeira...
    Não nota que só deu bobeira,
    E ainda quer que eu lhe queira?
    Ora, se toque, olhe p’ra mim!

    Você perdeu,
    Se arrependeu,
    Mas não se esquece tanta asneira...
    Você brincou
    Com o meu amor:
    Paixão sincera e verdadeira,
    Você deixou, só fez besteira,
    E depois vem com choradeira...
    Mas eu não sou tão bobo assim!

    Não quero mais:
    Não sou capaz
    De andar p’ra trás na minha vida!
    Vou procurar,
    E hei de encontrar,
    Alguém que valha a investida,
    Que eu possa chamar de “querida”...
    Mas enquanto não acho a dita,
    Sou “tico-tico no fubá”!

    Alberto Pontes Moura (Samba, Olinda, 20 de fevereiro de 1996)

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