20/01/2016

A nossa história não acaba aqui. (Parte dois)

Fonte: Pixabay




Marina:

O dia amanheceu e eu não consegui pregar os olhos depois da ventania de desordens que passou pela gente. A madrugada se passou numa moleza que por um instante achei que o relógio tivesse parado de funcionar, ou então eu mesma estava numa tremenda insônia que nem um chá às duas da manhã me acalmou para que eu pudesse ao menos cochilar. Levantei na dúvida de te procurar, mas não dava pra esconder. Um caos havia se alastrado em nosso relacionamento e eu tinha palavras agarradas na garganta; e você precisava saber. Você tinha que me escutar e não dava para esperar.



*** 

Cinco horas da tarde. Avisto a casa de Leandro de longe na dúvida se me aproximo ou não. Confiro a brecha do portão, seu carro não estava lá. A incerteza aperta ainda mais, vou atrás ou não? Que dúvida! Três, dois, um, toco a campainha sem remoço.

Ding Dong ... Um minuto, dois, quando ouço os passos de alguém.

- Marinaaaaa! – Alice dar um sorriso forçado ao abrir o portão de madeira.

Alice era a irmã de quinze anos de Leandro. Ela era cinco anos mais nova que o irmão. A gente brigou uma vez que ela me fotografou no banheiro urinando. Por pouco eu não consegui apagar a foto do smartphone dela. Naquele dia eu juro que tive vontade de arrancar com a unha cada fio de cabelo que ela tinha na cabeça. Alice era terrível, eu nunca soube o motivo da implicância dela comigo, mas eu não gostava dela. E acho que nunca conseguiria gostar.

– Oi, é... Tudo bem? ... Leandro, ele está? – fui direta ao assunto. – É que ele me pediu pra vim aqui e tal...

Alice me olha como se soubesse que eu estava mentindo. E talvez saiba mesmo.

–  É? Então...hum... ele não falou nada – ela olha ao redor da casa. – Ele saiu, eu acho, pelo menos em casa não está. – Alice dar uma risada.

FALSA! O oposto do irmão. Como pode?       

– Cê sabe onde meu namorado foi? – provoco.

– Olha...Não sei, mas deve ter saído com algum amigo – ela sorri e continua – Cê pode entrar se quiser, querida! Tenho que fazer o dever de casa, sabe? Sou muito atarefada.

Tem que ser atarefada mesmo pra não encher o saco das pessoas. Pensei, por pouco não falei. Menina chata!

–  Sei, sei.

– Vai entrar ou não?

Não sei. Não sei. Não sei. Não tenho mais ideia do que fazer. Socorro!

–  É... Vou...

Estou na sala da casa de Lê. Alice subiu as escadas correndo e não falou mais nada, nem perguntou. E agradeço aos céus por este milagre. Acomodei-me no sofá longo vinho e fiquei ali, pensativa. Os pais de Leandro não estavam em casa, o que significa que eu teria que está esperta para Alice não aprontar nada. Liguei a TV e coloquei no telecine pipoca, depois  mudei para o telecine premium. O tempo não passava. Mas não consegui prestar atenção em nenhum dos filmes que estavam passando. Eu só queria o Lê aqui, era pedir demais?

*** 
Já se passaram quase duas horas em que estou à espera do meu namorado. Ou será EX? Não sei. Na TV já rolaram dois filmes, um de comédia e outro deve ter sido ficção. Só sei que estou aflita aqui. Odeio demora, principalmente quando se é algo em que estou na ansiedade de resolver.

Ouço um barulho vindo de fora. Meu coração bate mais forte. Eu sei que é Leandro pelo barulho do pálio. Desligo a televisão e olho para os lados. Não sei o quê fazer e como agir. Alice desce a escada e vai para a cozinha. Enxerida!

Leandro abre a porta, estou suando frio. Ele me olha com desgosto e passa para ir até a cozinha, ou será a varanda? Estou nervosa. Estou tremendo. 

Aconteceu algo com vocês? Amiga Marina? – Alice surge do nada bebendo um copo de leite com nescau.

AMIGA? Oi? Ela me chamou assim? Ou eu que não estou lúcida?

 Não!...Quer dizer, está sim! Está tudo muito bem!

 Ah! Não é o que parece. – ela sai da sala para meu alívio.

Estou me sentindo mal, arrasada para ser mais sincera. Estou quase chorando, mas me seguro quando vejo Leandro, ele passa direto na direção da escada. Ele finge não me ver. E isso é um como um tiro no meu estômago.

Leandro? – eu o chamo e ele se vira para olhar para mim.

Leandro! Olha, eu sei que cê tá mal, mas você não pode me ignorar assim...

Ele me olha sério, abaixa a cabeça e se aproxima muito pouco.

Eu pedi pra você não vir, cara, eu só queria um tempo. Nada mais!

Me desculpa. – meus olhos se enchem de água. – me desculpa.

Eu corro na direção dele e o abraço o mais forte que consigo. 

Eu te amo, amor. Por favor, não me deixe... – falo baixinho em seu ouvido.

 Também te amo...Vamos dar uma volta! – ele diz.

*** 
Fomos numa lanchonete próxima de casa. Conversamos sobre tudo, a faculdade, sobre a família, sobre o novo emprego, menos sobre a gente. E era o que eu mais queria saber, já que eu ainda não sabia como nós realmente estávamos. Leandro me beijou duas vezes durante a ida ao Subway, mas será que está tudo bem?  Na volta, quando ele estava a caminho da minha casa para me deixar, tomei coragem pra perguntar.

A gente já pode voltar a ser o casal de antes? Quer dizer... O casal feliz de antes, até porque a gente já está se acertan...

Leandro me interrompe.

Amor, vamos com calma...Eu pedi um tempo para pensar... ele continua. Um tempo para a gente pensar...

Droga. Eu achei que estava tudo bem, mas não. Droga!

Tudo bem...

Vou para casa ainda com um aperto no coração, mas dessa vez estou bem melhor do que ontem...

Leandro:

Eu não sei o que deu na cabeça da Marina de aparecer na minha casa sem avisar. Estávamos brigados ainda quando me deparo com ela no sofá da minha sala. Ignoro! Eu ainda estava bastante confuso com a discussão de ontem e não queria vê-la tão rápido assim. Passo depressa e vou até o banheiro. Na volta já estou quase subindo a escada quando... 

 Leandro? – Marina me chama e eu fico paralisado por alguns segundos.

Não sei o que falar. Não sei. Socorro!

 Leandro! Olha, eu sei que cê tá mal, mas você não pode me ignorar assim...

Abaixo a cabeça por um momento. Meu coração ainda está cortado pela briga de ontem.

 Eu pedi pra você não vir, cara, eu só queria um tempo. Nada mais!

É o que consigo dizer, embora seja rude, é a verdade.

 Me desculpa ... Me desculpa.

Então ela vem em minha direção e me abraça. O abraço mais gostoso que eu já recebi. Fomos para a lanchonete. Estava tudo tranquilo. Mas não dava para voltar ainda. Pensei que ela não faria a pergunta tão temida por mim naquele sábado. Mas...

A gente já pode voltar a ser o casal de antes? Quer dizer... O casal feliz de antes, até porque a gente já está se acertan...

Amor, vamos com calma...Eu pedi um tempo para pensar...  Um tempo para a gente pensar...  – digo calmamente.

Tudo bem...

É tudo que ela diz.  Eu queria muito voltar agora, amor, mas temos que repensar em nossas brigas antes para que isto não venha acontecer mais vezes. Tive vontade de desabafar isso, mas deixei apenas guardado na memória. Eu precisava de tempo, ou talvez de mais espaço para a gente continuar.




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5 comentários

  1. Esse tá melhor que o primeiro, fiquei arrepiado lendo haha. Muito bom. Parabéns.

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  2. Oii!
    Adoorei! Você escreve muito bem! Um ótimo começo ♥ Seguindo ;)

    Beijão!

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  3. Estou ansiosa pela continuação da história!

    http://lenabattisti.blogspot.com.br/

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