19/01/2016

A nossa história não acaba aqui. (Parte um)

Fonte: Pixabay




Marina:

Eu odeio brigas, principalmente quando se é com alguém que amo. E hoje foi um daqueles dias em que a briga perfurou cada pedaço de mim. Sabe quando você acorda com o pé esquerdo?  Então, foi exatamente assim que eu levantei naquela sexta-feira. Eu e Leandro já estávamos brigados desde cedo, mas tudo começou com um ciúme da minha parte, mas cá entre nós, eu não estava tão errada assim. Sou apaixonada pelo meu namorado, e deixo isso bem claro para qualquer indivíduo. O problema era a EX dele. Não que eu seja a neurótica da história, mas a Carina provocava, mesmo quando ela estava caladinha da Silva. Por que é tão difícil um casal se conhecer e os relacionamentos passados serem apagados da memória? Eu sempre fazia de tudo para frequentar as aulas de violão de Leandro, mas ele nunca me levava. Nunquinha! Meu celular apita.

‘’ Vai ter aula de violão amanhã, quer ir?’’

Era Leandro. Digito lentamente e respondo a mensagem.


‘’ Pra quê? Pra você não me dar atenção?’’ 

Ciúme. Ciúme. Ciúme.

Eu sabia que ele poderia ficar chateado com a minha resposta. Mas como mencionei, acordei num dia ruim! Aliás, Leandro nunca queria me levar. Ele sempre inventava desculpas enfarrapadas. E Carina estaria lá, o que me causava agonia, já que era ela a tal professora. Já cheguei a implorar para acompanhá-lo na aula, até ir escondido, eu tentei, mas ele era esperto. Descobria e não me levava por nada. Por que logo hoje resolveu me chamar? Estranhei.

‘’Então é melhor não ir, Marina.”

Como assim ele não ia fazer nenhum esforço pra eu ir com ele?

Não respondo. Dois minutos depois. Meu samsung apita.

‘’Já que vc está pensando assim. Não vai.’’

A nossa discussão pela internet logo anunciou que estava por vim. Confusões entre casais. Desentendimentos que poderiam não existir. Brigas que já se estendiam por um período que pareciam não ter fim. Mas infelizmente, não acabou por ai. Já era noite quando eu tentei acertar as coisas, mas na verdade, só piorou.

‘’Olha... Pensando bem, eu ...hum, queria ir na aula com você amanhã.’’

‘’Agora perdi a vontade de te levar!’’

Como assim perdeu a vontade de me levar? Isso não ia ficar assim. Digito por cinco segundos e envio, sem pensar. Que raiva!!!!

‘’Vontade cê nunca teve.’’

‘’Para de drama!’’

‘’Nem preciso ir, Carina já faz companhia para vc.’’

Tá bom! Foi uma resposta infantil. Admito.

SEM RESPOSTA! Meu coração dispara e... Apenas um emoticon. Um EMOTICON! Já disse que odeio essas ‘’carinhas’’ da internet?  Eu sempre fico na dúvida sobre o significado delas. Não sei interpretar emoticons, mas tudo bem. Se acalme, Marina! Respira fundo. Conta até três... Ok! Eu estava chateada, mas não podia complicar ainda mais. Já havia uma confusão tremenda por aqui. Como se estivesse passado um furacão e desajeitado tudo. Tirando todas as peças do seu devido lugar.

‘’Vai vim aqui em casa mais tarde, amor?.’’

‘’Não sei, amor.’’

Não sabe? Não sabe? Nãããããoo sabe?! 

‘’Cê disse ontem que viria, Leandro!’’

‘’Mas, agora já estou indo para casa. Preciso descansar.’’

DESCANSAR? OI?

‘’Ok, vou ai mais tarde.‘’

‘’Masss, é que, preciso dormi um cado.’’

‘’Passo ai mais tarde, Lê.’’

‘’Okay, te espero.’’

Eram vinte e duas horas de uma sexta-feira de verão, a noite estava tranquila, nada de chuva, pelo contrário, estava abafado, havia apenas algumas estrelas que brilhavam no céu. Cheguei na rua da casa de Leandro e me certifiquei de que não havia ninguém por perto. E não havia mesmo. Encostei-me por alguns minutos em seu Pálio de cor prata que estava no portão, e fiquei ali, parada, talvez até pensativa, esperando o amor da minha vida aparecer.

Cinco minutos depois...

Entramos no carro, mas o clima entre nós não estava um dos melhores. Nem um beijo, nem um abraço, e nem sequer um ‘’Oi’’. Seguimos de cara amarrada, enquanto ele dirigia pelas ruas quietas da cidade.

Discutimos. Discutimos.  Discutimos durante todo o momento. E parece que o meu mundo congelou. Senti-me perdida, desnorteada, sem rumo. Brigas, resumia aquele dia, e tudo que eu menos planejava era terminar uma noite assim.

Não sei o verdadeiro motivo da nossa discussão. Eu só sabia que já estava pronta para explodir. Tentei frear cada lágrima que insistia em cair, tentei, tentei, mas não aguentei.

Estávamos na rua da minha casa. Saímos para resolver nosso relacionamento, mas de nada adiantou.

- Eu não vou sair do carro – digo irritada. Irritadíssima.

E não iria sair mesmo, havia um problema ali, e eu tinha que resolver o mais rápido possível.

Silêncio.

- Sai do carro, Marina – ele aumenta o tom de voz. E eu fico preocupada.

- Não, já disse, não saio – faço pirraça que nem aquelas crianças de dez anos.

- Você só está piorando a situação.

- E você também – atiro.

Imediatamente ele sai do carro, bate a porta com força e ameaça a entrar na minha casa para chamar minha mãe para me retirar daqui.  Que imaturidade. Isso não pode acontecer. Minha mãe não precisa saber dessa explosão que está prestes a cair sob mim.

- Ela não está em casa  – afirmo.

- Ah não? – ele soa irônico e continua - Está tudo acesso!  

DROGAAA! Ele continua...

-  Se você...  Se você não sair daí, eu vou te tirar a força!

E não vai mesmo.

-Saiiiiiiii! – Leandro implora. 

Silêncio. Por que ele estava me tratando assim? Por uma briga tão inútil.

- Então você está terminando comigo? – grito pela janela.

- Isso! Estou terminando. 

Um minuto, dois minutos, três, quando ouço Leandro xingar todos os palavrões possíveis. Lágrimas rolam em meus olhos. Lágrimas insistem em cair e queimar o meu coração de dor.

Depois de alguns minutos, por mais que eu não quisesse, eu precisava sair dali.

BUUUUMMM! Bato a porta do carro com força e ando depressa em direção à porta de casa, e ouço de longe Leandro resmungar.

- Quebraaa mesmo!!!

E eu corri, corri para o meu quarto. O lugar, que agora era o meu porto seguro.  Agarrei o travesseiro, e chorei. Desabei, porque eu queria gritar até a dor sair pela alma.

Leandro:

Eu não sei o que acontece com as mulheres. Não sei de verdade. Marina, a minha namorada, não quis ir comigo na aula de violão, e logo se emburrou. Só porque eu não achei necessário levá-la nas outras vezes. É que não atinei que teria tanta importância assim para ela. Lá eu perdia a concentração pô! Afinal, como iria dar atenção a ela e ao violão? Tentei evitar ver ela naquele dia, exatamente para não rolar outra briga, mas de nada adiantou, pois ela insistiu em ir até minha casa. E o resultado?  Terminamos, mas acho que precisamos de um tempo. Um tempo para repensar em nossas atitudes.  Um tempo para tudo se ajeitar.

- Então você está terminando comigo? – diz ela, e me deixa sem chão.

Toda briga que tínhamos, Marina perguntava se terminamos, mas naquela noite, ela me tirou tanto do sério, que fui obrigado a ter uma atitude severa.

-Isso! Estou terminando. – digo já sem paciência.

Sério! Eu não queria terminar assim, mas não tive outra opção.  Dava para notar nitidamente o espanto presente em seu rosto. Mas eu, sinceramente estava cansado de tanto alarido pô. Pra quê toda essa confusão? Não havia necessidade alguma. Então eu terminei. O que eu queria, era na verdade, um tempo. Um tempo para pensar, e ver se paramos de vez com brigas repentinas. Uma tristeza percorreu no meu peito, mas eu tive que ser forte. Pelo menos para não me machucar. E para não afetar a gente ainda mais.

Sabe quando uma raiva danada te invade por completo? Era assim que eu senti-me com toda essa discussão.  Meus pensamentos estavam confusos. Ouço um barulho que me faz pular.

BUUUUMMM!

- Quebraaa mesmo!!!

Nem sei se ela escutou, mas gritei inconscientemente. Brigas, brigas e mais brigas, resumiu nosso dia infeliz. E que cansativo, viu?  Eu só queria dormi e tentar acordar sem me lembrar de nada o quê aconteceu. Só queria que por um momento, as coisas não tivessem saído do lugar.  Eu não queria outra mulher, eu queria a minha Marina, mas naquele momento eu sabia que a gente precisava de um tempo. Mas a questão é; quanto tempo?





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4 comentários

  1. Ahh amo textos com os 2 lados da moeda. Seus contos são maravilhosos, só faltou uma coisa que eu também as vezes esqueço. Crie o costume de alinhar o texto justificado haha.


    Beijos,


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    1. Obrigadaaa! Pode deixar, valeu pela dica, Jean haha
      Beijoss

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  2. (Chorando) Eu to aqui desesperado pela Marina, tadinha. Preciso da continuação. Kd? Amei! Parabens!

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    1. Ahh que amorr! A continuação (parte dois) já está no blog, a parte três (final) sai na terça-feira <3 <3 <3

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