22/04/2015

O tal do orgulho.

Fonte: Pixabay

Luiza:
17h30min. E ainda estou na cama. Daqui a exatamente quarenta e dois minutos tenho que está num parque, que pra minha sorte é próximo da minha casa – onde marquei com minha melhor amiga de colocar as conversas em dia – o vento sopra pela janela. Hoje o clima está frio, o que me deixa com mais vontade de permanecer deitada na cama. Levanto e corro para a sala onde deixei meu celular carregando, desbloqueio meu aparelho deslizando o dedo na tela. E nada. Nada de mensagem de Daniel. Nenhum ‘’Oi’’, nenhum sinal de ‘’Lembrei de você está manhã’’. Droga! Lá estava eu com os olhos cheios de lágrimas. Tá vendo como é difícil lidar com a saudade? Mas isso não importa, não mesmo, claro que não. Alguns segundos depois meu celular apita. Um sorriso surge em meus lábios, abro a mensagem. ‘’Não fique sem falar, recarregue seu celular ligando para...’’ Ah puta que pariu!!!!!!!!
Caminho lentamente até o parque – já que sei que Patrícia demora mais para se arrumar do que eu e minha mãe juntas – uma ventania percorre pelas ruas, me encolho por um instante, tentando escapar do frio que me persegue. O parque está movimentado. Há alguns casais fazendo piquenique, um grupo de jovens jogando conversa fora, umas crianças brincando de pique-esconde e alguns, assim como eu, sozinhos. Sento no banco mais próximo que avisto. E nada de Patrícia! E... sim de Daniel. Meu coração acelera – que nem escola de samba em festa – um ardor me domina e lá está ele sentado a poucos metros de mim. Daniel continua lindo, com um jeans escuro, um casaco azul, está olhando fixamente para seu Iphone, sem notar minha presença naquele ambiente.
Parece que vou perder minha respiração. Começo a tremer como uma adolescente que encontrou o amor da sua vida aos treze anos. A minha vontade de ir até ele e perguntar o que houve com a gente é grande, mas eu não posso. Não posso me iludir num amor. Não posso me humilhar para ninguém. Não posso perder o amor próprio... Por um momento, me levanto e caminho na direção dele. ‘’Não! Luiza o que está havendo?’’ Meu subconsciente grita comigo. ‘’Luiza pare! Luiza?’’  Então meu caminhar trava e vou na direção de uma barraca, sem saber na verdade o que vou comprar.
-Tem água? - pergunto ao homem que aparenta ter uns quarenta anos.
-Tem sim, moça - ele se vira para mim. - Vai querer uma?
- Sim, por favor - respondo tentando colocar um sorriso, na qual não apareceu naquele fim de tarde.
- Aqui está - ele me entrega a garrafa de água, enquanto lhe pago com uma nota de dois reais.
- Obrigada - digo educadamente.
- Por nada.
Ao me virar, vejo que um casal ocupou o banco que eu estava antes de me levantar que nem uma louca e ir comprar uma água, que por sinal, eu nem estava com sede. O que o sentimento não faz!!!!! Olho para os lados à procura de um banco disponível e dou de cara com Daniel me observando. Ele acena para mim com aquele sorriso lindo como sempre, aumentando meu desejo de ir até ele. De perguntar se ele está bem, se sente minha falta, se queria voltar, mas em vez disso. Fico ali, parada no meio de todo aquele movimento. Então ele se levanta, vem na minha direção. Meu coração volta a sambar. Mas ele apenas sorri e vai embora. Minha vontade de gritar ’Não, por favor, volte! Nós temos tanto o que conversar’’, mas o orgulho que habita em mim, não permite isso.  Apenas pego o celular dentro da minha bolsa e digito uma mensagem para Patrícia. ‘’Amiga, a onde é que você está?’’ E em poucos segundos, meu celular apita, mas não era Patrícia. Era... Daniel!!!!! ‘’Você estava linda hoje’’.

Daniel:
Hoje era feriado. Não havia nada para fazer e ficar à toa é algo que nunca combinou comigo. Sempre gostei da vida de atarefado pô. De está jogando uma bola, está pegando uma onda ou até mesmo trabalhando. Então, naquela terça-feira resolvi caminhar até meu parque favorito, o que eu e Luiza sempre frequentávamos. Está lá me fazia bem. Estranho como um lugar deixa tantos rastros de lembranças pela memória da gente. Aquele parque era como se eu me transportasse de volta ao passado. Onde eu relembrava de todos os momentos que vivi durante quatro anos com a minha ex.
O ruim de ir a um lugar sozinho é que você se sente como um peixe fora d’água, onde todos estão em grupos e você ali sozinho, completamente isolado. Sento num banco e observo as crianças tão felizes correndo pelo enorme parque. De repente uma onda de agonia me atropela. Lá vem ela, tão bela, como sempre foi e parece uma daquelas garotinhas perdidas de algum filme. O vento fez com que algumas mechas de seu cabelo atingissem seu rosto. Luiza parece está à procura de alguém que nem desconfio. Pego o meu celular e finjo está mexendo, enquanto tento disfarçar para observá-la. Cada movimento seu me traz uma saudade.
Meu coração acelera quando a vejo vindo em minha direção. Finalmente! Ela caminha em passos desacelerados, e fico feliz por um momento, na verdade a presença dela ainda mexe comigo, mas um pedaço de mim se vai quando a observo parar numa barraca qualquer e comprar uma água. Sem graça, aceno sorrindo para ela, ela corresponde. Tão linda! Tão encantadora! Tão minha! Então uma dor me invade por completo. Meu chão cai. Apenas sorrio e parto. Luiza não me amava mais. E eu não estava disposto a ir até ela e levar um fora. Na rua, uma lágrima escorre pelos meus olhos. Quem disse que homem não chora? Com uma dor no peito, digito uma mensagem para ela e a envio. Caminho pelas ruas agitadas, junto com o vento e acompanhado da dor. Estúpido músculo involuntário, esse tal de coração.


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15 comentários

  1. Quem não chora por amor?
    Infelizmente sempre sofremos, pois parece que sempre gostamos de pessoas erradas e não somos correspondidas!
    Mas com amaturidade aprender a amar a quem nos ama!
    Bjus
    http://www.elianedelacerda.com

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  2. ooooo que lindo. Por isso que não sou orgulhosa falo tudo o que sinto mesmo correndo o risco de levar um fora rsrsrs
    Adorei, vc escreve muito bem parabéns !!
    www.evelynlobomakeup.blogspot.com.br

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  3. ooooo que lindo. Por isso que não sou orgulhosa falo tudo o que sinto mesmo correndo o risco de levar um fora rsrsrs
    Adorei, vc escreve muito bem parabéns !!
    www.evelynlobomakeup.blogspot.com.br

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    1. Verdade Evelyn, às vezes arriscar faz parte hahahaha Obrigada <3

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  4. É isso que o orgulho faz! Belo texto !!!!
    Seguindo!
    http://ssoparameninas.blogspot.com.br/

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  5. Nossa adorei o texto, de verdade! Esse orgulho é uma droga! Ele acaba com nós mesmo. Eu me considero uma pessoa orgulhosa, e quando se trata em qualquer tipo de relacionamento parece que a pessoa que mais se "lasca" de tudo isso, sou eu! Devido o orgulho...


    Beijoooooos♥

    http://tonsdesentimentos.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada Jennifer! Verdade, orgulho muita das vezes é ruim. hahaha Beijoss <3

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  6. Meu Deus.. haha, estou sem palavras, texto lindo. Não tenho palavras para descreve-lo. Ah, e amei o novo layout haha.

    Beijos,

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    1. Obrigada jean <3 Fico muito feliz que tenha gostado!

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  7. Olá,
    Que texto lindo e realista.
    O orgulho, sempre ele, muita vezes acaba com a gente.
    Beijos.

    http://www.leituradelua.com

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  8. Uau, você escreve muito bem! E conseguiu passar nesse texto exatamente a forma como o orgulho nos atinge, acabamos prejudicando nossa própria vida quando deixamos o orgulho tomar conta.
    Obrigada por me colocar no seu Blogroll. Estou seguindo seu blog também!

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    1. Obrigadaaa Lenise, fico feliz que tenha gostado <3

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