21/02/2015

Carnaval.

Fonte: Pixabay



















E tudo começou ali, naquele mês caloroso de fevereiro. Era semana de carnaval, a rua já estava toda enfeitada e as fantasias quase prontas. Dois dias antes de começar a festa pelas ruas, o telefone toca. A sua voz abafada não escondia o que estava por vim. Meu coração acelera a cada palavra dita por você, seguro minhas lágrimas por um instante e ouço seu discurso patético durante uns cinco minutos. Você estava terminando um relacionamento de um ano e pouco porque queria curtir cinco dias de folia.  Queria curtir outras bocas, cair na bebedeira e pular com os amigos, esquecendo completamente de mim. Não dava para acreditar na sua falta de sensibilidade. Me ligou em plena quarta-feira para desmanchar um namoro que poderia durar anos e anos. Você com certeza era uma pessoa insolente.

Mesmo querendo te excluir rapidamente, o seu cheiro ainda estava intacto no meu quarto, nossas fotografias espalhadas pela sala não escondia o meu sentimento, sua voz ainda dançava na minha mente e todas as memórias voltavam durante a noite.  Durante muito tempo eu tentei fugir do amor, tentei mudar de direção para que ele não me encontrasse. Talvez por medo de ter meu coração cortado em pedacinhos novamente. Fui fria, até te encontrar.  Devo confessar que nunca fui fã do príncipe encantado, sempre me atrai por caras com os cabelos negros e sorriso tímido. E foi assim que você apareceu, do nada, de mansinho, de surpresa, e foi embora do mesmo jeito. A gente tinha tantos planos.  A gente viveu tanta coisa. A gente se amava. A gente era feliz, eu sei que era.

Passei os cinco dias de carnaval de pura agonia. Coloquei sorrisos encenados e fingi está tudo bem. Ao contrário de você, eu não sairia pegando uma tonelada de caras bonitos, porque dentro de mim ainda existia um coração, ainda existia um sentimento, ainda existia você. Será que você não sente minha falta? Porque eu sinto. E muito. Embora eu não queira me importar. Você deve está bem, não me ligou em nenhum momento, não veio me visitar e muito menos pediu para voltar. Eu preciso parar de carregar bagagens de você, bagagens pesadas, bagagens desnecessárias, bagagens da dor. Talvez eu não queira que você volte, não sendo rude, mas você já bagunçou demais a minha vida. Tirou todas as peças do lugar como se fosse um quebra cabeça, afinal foi uma dor de cabeça o que você me causou.  Fique por ai curtindo vários carnavais, mas quando se sentir só, não lembre de mim, porque não haverá mais amor para recomeçar.  Uma hora a gente cansa de tomar altos goles de sofrimento, uma hora as nossas lágrimas secam e não há mais choro, não por você.




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6 comentários

  1. Poxa Bia, essas coisas de término sempre acabam comigo, tenho um mau histórico quanto a isso hahahah essa coisa toda de acabar de nada e esquecer dos planos... sei muito bem como é! Ótimo texto ♥

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  2. Goste do texto :)
    Pior que muitos homens são assim mesmo,deixam a mulher ideal pra pegar mulher rodada.
    Visita meu blog?reflexoesdaminhamentedoida.blogspot.com

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  3. Defino isso como infantilidade, pois não devemos trocar um relacionamento que pode durar até mesmo uma vida, por um momento que como o próprio nome já diz não é apenas um momento.
    parabéns belo texto.

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    1. Verdade, pura imaturidade. obrigada Jailton, beijosss

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