14/02/2015

Bullying.

Hoje vamos falar de um assunto que vem ocorrendo com bastante frequência. O Bullying, que ocorrem em vários lugares como: escolas, cursos, locais de trabalho, entre muitos outros. Larissa é uma adolescente de seus quinze anos, que vem de uma família humilde, ao ganhar uma bolsa de estudo para estudar em uma escola particular, ela vem enfrentando o Bullying, o que deixa a menina cada vez mais triste e desapontada.

Foto: Google Imagens.




















Era como se eu fosse anormal, estranha ou qualquer outra coisa de ruim, as pessoas riam, zombavam de mim, assim, sem dó...  Fiz uma prova e passei para a escola mais bonita e chique da minha cidade. Uhul! Eu era inteligente, inteligentíssima. Ganhei a bolsa de estudo tão desejada por mim.
Eu era bem tímida, não falei com ninguém.
Tudo parecia bem, até...
-Nossa quem é aquela aluna nova?- Diz uma menina alta da minha nova sala.
-Não sei, parece pobre. -Diz a amiga dela.
-Fiquei sabendo que ela ganhou uma bolsa. - Se mete um baixinho da minha nova turma.
-Também ouvi dizer sobre isso. – Diz a menina alta.
-Vai lá fazer amizade com ela, ela tá tão sozinha. -Diz a amiga dela.
-Tenho nojo de pobres!
E todos caem na risada. Sem notarem que eu estava ouvindo absolutamente tudo...
Eu fiquei impressionada com a falta de sensibilidade das pessoas, como podem ser tão cruéis a ponto de falarem isso? Nojo de pobres? Como assim? As pessoas me ignoravam como se eu fosse um bicho, elas passavam por mim como se não houvesse ninguém ali, como se eu fosse completamente invisível, isso mesmo.  INVISÍVEL . Meu primeiro dia de aula foi péssimo, fui excluída de todos ali presentes. As pessoas não foram me dar as boas vindas como eu esperava, não tentaram fazer amizade comigo e muito menos me encaixar no grupo deles. Por um momento achei que eu não devia está ali.
- Essa é a Larissa, turma – Diz o professor de Biologia apontando para mim. – Deem as boas vindas a ela. A Larissa é uma aluna muito inteligente e simpática.
Ninguém se manifestou. Olharam para mim com ar de desprezo e permaneceram calados.
- Então Larissa, seja bem vinda!- Continua o professor meio sem graça pelo vácuo da turma. - Sou Carlos Eduardo, professor de Biologia e trabalho aqui desde o ano passado...
Ele fala durante alguns minutos e entra na matéria, algo sobre abiogênese e biogênese.
***
Na manhã seguinte tentei pensar que tudo seria diferente, que aquilo tudo não passava de um mal entendido, mas não foi bem assim. Há todo momento eram piadinhas do tipo ‘’Nossa porque ela não cuida da vassoura daquele cabelo’’ ou ‘’Nossa porque ela não entra em uma academia’’, e foi assim durante toda aquela manhã de terça-feira.
A semana foi assim, péssima, eu comecei a abraçar cada vez mais a solidão, eu andava pela imensa escola sozinha, tinha vontade de ir até a secretaria da escola e desabafar, ah, como eu queria desabafar, mas eu tinha vergonha de tudo aquilo...
Tomei coragem e falei com uma menina de olhos castanhos que estudava na mesma classe do que eu, baixa, nem bonita nem feia, magra e loira.
-Posso me sentar ao seu lado?-Digo.
-Hum, para quê?
Nossa, que arrependimento de ter aberto minha boca.
-É ,hum, não sei dizer, hum.
Caramba! Eu sempre gaguejo, aff.
-Não vai dar não.- Ela se vira e continua fazendo o que estava fazendo antes, me ignorando.
Saio correndo da sala e vou para o...Isso mesmo, para o banheiro. Lá choro, não dava mais para aguentar o que eu estava sentindo, o desprezo era muito grande, uma dor muito grande invade o meu coração. Poxa, eu não merecia isso, não mesmo. Sento no chão e fico por ali mesmo chorando.
-Você está bem ? –Uma gordinha de outra turma fala, enquanto pega uns papéis para enxugar as minhas lágrimas.
-Não! -Choro mais ainda.
-O que houve? –Ela  senta ao meu lado.
-Eu tô cansada, tipo, cansada pra caramba de ser ignorada nessa escola, desde que eu cheguei aqui, é, eu tenho sido excluída de todos. Será que eu sou tão chata, feia e boba assim? Hein? – Desabafo com a garota na qual nem conhecia antes.
-Me abraça!
Oi? Me abraça? Eu não sabia o por quê de tudo aquilo, mas um abraço? Ora, era tudo que eu precisava naquele momento. Abracei a menina e ficamos ali sentadas por um bom tempo. É, talvez seja de mais pessoas assim que o mundo precise. Pessoas que se importam com o próximo, pessoas do bem...
***
Passei a andar com a tal menina do banheiro, Júlia, o nome dela. Ainda assim continue a ouvir piadinhas sem graça, mas passei a ignorar tudo isso. Foram dois meses assim, eu só tinha a Júlia, só ela.
Dizem que as coisas boas podem até demorar, mas sempre chegam, para a minha surpresa, em uma manhã de quarta-feira, o professor de seus trinta anos falou alto e claro.
-Larissa, meus parabéns, você foi a única da classe com nota azul no meu teste de história.
Fogos de artifícios dentro de mim, pela primeira vez uma alegria naquela escola, os alunos me olhavam com olhos arregalados, confusos, e eu pulei de alegria, por dentro, é claro...
-Você pode me ajudar? –A alta que tinha nojo de pobres diz.
Oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii? Ajudar? Interrogações se formaram na minha cabeça.
-Em quê? –Digo, seca.
-Olha, você foi a única que passou no teste, tipo, a única, e se eu não recuperar essa nota, eu, hum, posso correr o risco dos meus pais me tirarem da escola! Então, você pode me dizer como você estudou?
Como assim? Ajudar quem sempre me desprezou e fez piadinhas ao meu respeito!!! Não! Isso não podia ser real, será que eu estava sonhando?
- Pode me dizer- Insiste a menina.
-Vi vídeos relacionados ao assunto. – Viro as costas e saio.
- Espera! – Ela diz.
- Olha, o que você quer? – Digo já irritada.
-Me passa o site? – Faz uma cara de sonsa! Aff.
-Não vai dar minha querida!
Ui! Eu estava sendo grossa. Mas o desprezo causa isso na gente. Tive que ser fria, pelo menos uma vez na vida. Me viro e saio andando, enquanto ouço de longe.
-Por favoooooooooor Larissa!
Dois dias depois, passei o site para a alta mais chata da turma e para outras várias pessoas que vieram me pedir. Não que eu seja ‘’bobinha’’, mas meu coração é leve e eu por algum motivo sabia que esse dia iria chegar. Não vou guardar rancor de pessoas que são dignas de pena. As pessoas te humilham sem pensar no dia de amanhã.  Depois disso, ninguém nunca mais falou nada de mim (não sei por trás). Fiz amizades com umas quatro meninas que entraram na escola no meado do ano. E passei a viver minha vida normal, sem me importar se falavam ou não algo de mim.
Aprendi que algumas pessoas são assim, sem caráter, mas quem sempre te humilhou um dia vai precisar de você. Pode demorar, mas ninguém vive feliz só. A solidão é uma das piores armas do ser humano. E ignorar algumas coisas é necessário. Mas aprendi o mais importante, podem existir pessoas vazias, mas sempre terá uma do bem, como a Julia, obvio...








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8 comentários

  1. Uma pena que o bullying é muito praticado,isso é falta de humanismo!! http://blogdamihcamargo.blogspot.com.br/

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  2. Infelizmente isso é uma realidade muito comum. Ser rico é superior do que ser inteligente hoje em dia! Passou o sentimento muito bem, Beatriz. Parabéns!

    http://centelhasdeamor.blogspot.com

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  3. Muito bom os textos, sempre existiu esse tipo de comportamento, acho que nunca vai acabar se agente não der atenção pra valer, NOJO DE POBRE é demais. Parabéns por abordar esse tema.

    http://mulher-e-companhia.blogspot.com.br/


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  4. - Infelizmente hoje em dia tem se visto muito isso , as pessoas desprezam umas as outras , se acham umas melhores que as outras e praticam o bullying.
    As vezes passam do limite e acabam colocando medo , agredindo o próximo e etc.
    Temos que dar mais atenção a esse assunto.
    Parabéns pelo texto!
    Beijinhos
    http://www.isadoramonteiro.com.br/

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    1. Disse tudo! O bullying ainda é bastante praticado. Obrigada pela visita, beijoss <3

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